
O Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer) recebeu, na última quinta-feira (6/8), o conselheiro econômico da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Matt Lowe. O encontro abordou a relevância do ferro-gusa brasileiro para a indústria siderúrgica norte-americana e o fortalecimento das relações institucionais em meio ao atual cenário de tarifas comerciais.
Para o presidente do Sindifer, Fausto Varela Cançado, a visita é especialmente positiva diante desse contexto. Embora o ferro-gusa tenha sido incluído entre as exceções às medidas tarifárias, ele destaca a importância de manter um canal permanente de diálogo com representantes norte-americanos.
Durante a reunião, o presidente apresentou um panorama do setor, incluindo produção, estrutura das usinas, organização institucional e mercados. Minas Gerais possui 49 usinas em operação, com capacidade instalada de 391 mil toneladas mensais. O segmento gera mais de 10,5 mil empregos diretos e 72 mil indiretos, considerando também atividades de reflorestamento e produção de carvão vegetal.
Outro destaque foi a relação comercial com os Estados Unidos. Em 2025, aproximadamente 76% do ferro-gusa produzido em Minas Gerais foi exportado, e o mercado norte-americano respondeu por quase 88% dessas vendas externas. No mesmo ano, os Estados Unidos importaram 5,3 milhões de toneladas do produto, sendo o Brasil responsável por 3,3 milhões de toneladas, mais de 60% do total.
A apresentação também ressaltou os diferenciais ambientais do ferro-gusa brasileiro, produzido com carvão vegetal proveniente de florestas plantadas, característica que reduz sua pegada de carbono e contribui para as estratégias de descarbonização da indústria siderúrgica.
A aproximação com Matt Lowe teve início durante as negociações relacionadas às investigações da Seção 301. Na ocasião, o Sindifer encaminhou um ofício à Embaixada dos EUA apresentando os impactos que eventuais tarifas poderiam trazer ao setor e destacando o papel estratégico do ferro-gusa brasileiro no abastecimento das siderúrgicas norte-americanas. “Acredito que a atuação da Embaixada foi importante para conseguirmos o êxito, ou seja, figurar na lista de exceções das duas investigações da Seção 301”, afirmou Varela.
Para o presidente do Sindifer, a visita desta quinta-feira representa um avanço na interlocução construída ao longo desse processo e abre espaço para novos entendimentos entre o setor e representantes norte-americanos. “Considero que foi muito importante a reunião com Matt Lowe, pois tivemos a oportunidade de mostrar a importância econômica e estratégica do setor para o Brasil e, principalmente, para a metalurgia dos Estados Unidos. Vejo também a consolidação das nossas relações, o que facilitará futuros entendimentos”, destacou.
Também participou do encontro Celso Figueiredo, do escritório de advocacia Barral e Pinheiros, contratado pelo Sindifer para atuar na defesa do setor nos recursos referentes às investigações da Seção 301.
Thaís Mota
Imprensa FIEMG