A indústria mineira está mobilizada para se adaptar à Reforma Tributária, mas ainda demonstra cautela diante das mudanças e dos possíveis impactos sobre os negócios. É o que aponta a Sondagem Especial sobre Reforma Tributária, elaborada pela Gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). O levantamento ouviu 125 indústrias dos segmentos extrativo e de transformação entre os dias 1º e 12 de junho de 2026. Confira a pesquisa completa neste link.
Segundo a pesquisa, 93,6% das empresas já iniciaram algum processo de adaptação. Desse total, 14,9% concluíram as adequações e 50,5% estão em estágio avançado, com prazo definido para conclusão. Outros 28,2% ainda se encontram em estágio inicial. As mudanças atingem diferentes áreas das empresas, principalmente processos tributários, contábeis e fiscais, citados por 70,2%, além da formação de preços, com 59,6%, e dos sistemas de gestão e ERP, com 49,4%.
Apesar da mobilização, o conhecimento sobre as novas regras ainda está em consolidação. Para 46% das empresas, o nível de conhecimento sobre a Reforma é moderado, enquanto 29,7% o classificam como elevado ou muito elevado. Entre os principais obstáculos enfrentados estão a falta de clareza nas regulamentações, apontada por 41,9%, e a dificuldade de planejamento diante de mudanças ainda em consolidação, mencionada por 31,5%.

“A pesquisa mostra uma indústria mobilizada para a adaptação à Reforma Tributária, mas ainda cautelosa diante dos seus possíveis efeitos. A adaptação já foi iniciada por 93,6% das empresas, alcançando processos fiscais, formação de preços, sistemas de gestão e capacitação de equipes. Ao mesmo tempo, 46% classificaram como moderado o conhecimento sobre a Reforma, enquanto apenas 29,7% o consideraram elevado ou muito elevado”, afirma Arthur Augusto Dias de Oliveira, analista de Pesquisas Econômicas da Gerência de Economia e Finanças Empresariais da FIEMG.
A complexidade do período de transição também aparece como ponto de atenção e foi indicada por 56,1% das empresas como um dos principais riscos associados à Reforma. Na sequência está o possível aumento da carga tributária, citado por 46,1%. Custos elevados de adaptação, problemas operacionais nos sistemas e impactos negativos sobre o capital de giro também estão entre as preocupações do setor.
Para o período pós-Reforma, a simplificação do sistema tributário aparece como o benefício mais esperado, citada por 34,1% das empresas, seguida pela redução do efeito cascata dos tributos na cadeia produtiva, com 33,2%. A expectativa de simplificação, entretanto, convive com a preocupação em relação à carga tributária: 35,5% projetam aumento, 15,7% esperam redução e 21,7% acreditam que ela permanecerá relativamente estável.
Para Arthur, os resultados reforçam que o avanço da preparação não elimina as incertezas. “Embora a simplificação do sistema esteja entre os benefícios mais esperados, 35,5% das empresas projetaram aumento da carga tributária, enquanto 15,7% esperaram redução, evidenciando que a perspectiva de simplificação não elimina a preocupação com os possíveis impactos sobre os negócios”, conclui.
Denise Lucas
Imprensa FIEMG