A atividade industrial em Minas Gerais apresentou recuperação em março de 2026, interrompendo uma sequência de quatro meses de retração. É o que aponta a Sondagem Industrial da FIEMG. O índice de evolução da produção atingiu 54,6 pontos, acima da linha de 50 pontos, que indica crescimento, refletindo, principalmente, a normalização da atividade após um período marcado por menor demanda, férias coletivas e o Carnaval.
Na comparação com fevereiro, quando o indicador marcou 42,9 pontos, houve avanço expressivo de 11,7 pontos. Em relação a março de 2025, o crescimento foi de 5,7 pontos. Apesar do resultado positivo, o desempenho ainda está associado a fatores sazonais, e não necessariamente a uma retomada consistente da indústria.
O emprego industrial, por sua vez, segue em trajetória de queda. O índice de evolução do número de empregados registrou 48,5 pontos em março, permanecendo abaixo da linha de crescimento. Embora tenha apresentado leve melhora frente a fevereiro (46,1 pontos), o indicador sinaliza continuidade da retração no mercado de trabalho industrial.
Outro ponto de atenção é a utilização da capacidade produtiva, que, apesar de ter avançado no mês, segue abaixo do nível usual. O índice ficou em 44,3 pontos, indicando que a indústria mineira ainda opera com ociosidade. Já os estoques de produtos finais caíram pelo segundo mês consecutivo e permanecem abaixo do planejado pelas empresas, o que sugere um descompasso, ainda que menor, entre produção e demanda.
No campo financeiro, o cenário segue desafiador. No primeiro trimestre de 2026, os industriais mantiveram avaliação negativa sobre lucro operacional, situação financeira e acesso ao crédito. O índice de satisfação com o lucro ficou em 40,2 pontos, acumulando 14 trimestres consecutivos de insatisfação. Já o indicador de acesso ao crédito registrou 42,9 pontos, refletindo o impacto de juros elevados e condições restritivas de financiamento.
Entre os principais entraves enfrentados pelo setor, a elevada carga tributária permanece na liderança, apontada por 35,5% dos empresários. Em seguida, destaca-se a forte alta na percepção de falta ou alto custo da matéria-prima, que saltou para a segunda posição, mencionada por 31,9% dos respondentes. O movimento está relacionado ao aumento das pressões de custos, influenciado, entre outros fatores, pelo cenário internacional e pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Para os próximos seis meses, as expectativas dos industriais mineiros melhoraram na comparação mensal, especialmente em relação à demanda e à compra de insumos. Ainda assim, os indicadores permanecem abaixo dos níveis observados há um ano, evidenciando cautela diante de um ambiente macroeconômico restritivo e de incertezas no cenário global.
O resultado da sondagem indica, portanto, um momento de recuperação pontual da atividade industrial, mas ainda cercado por desafios estruturais que limitam uma retomada mais robusta do setor.
Para ler o estudo completo, acesse Sondagem Industrial de Minas Gerais – FIEMG.
Denise Lucas
Imprensa FIEMG