Os impactos da burocracia municipal sobre a competitividade da indústria e a atração de investimentos foram destaque no Imersão Indústria, realizado nesta sexta-feira (30/10), no BH Shopping, em Belo Horizonte. Durante a palestra “Custo Município: burocracia local e perda de competitividade na atração de investimentos”, Fernando Passalio, da Passalio Capital, apresentou indicadores sobre os entraves regulatórios enfrentados pelas empresas e discutiu medidas para tornar o ambiente de negócios mais eficiente.
Segundo os dados apresentados, o Custo Brasil representa um impacto estimado de R$1,7 trilhão por ano para o setor produtivo. Parte desse cenário está relacionada à complexidade dos processos administrativos, especialmente na esfera municipal, onde exigências para obtenção de alvarás, licenças e autorizações podem atrasar a instalação e a operação de empreendimentos.
A apresentação também destacou a posição do Brasil no ranking de competitividade do International Institute for Management Development (IMD). Em 2026, o país ocupa a 65ª colocação entre 70 economias avaliadas, uma queda de sete posições em relação ao ano anterior. Além disso, aparece como a terceira jurisdição mais complexa do mundo para a operação de empresas, conforme o Global Business Complexity Index 2026.
Ao analisar os efeitos desse cenário, Passalio ressaltou que a eficiência administrativa dos municípios tem influência direta sobre as decisões empresariais e a capacidade de atrair novos investimentos.
“A competitividade de uma cidade não depende apenas de infraestrutura ou incentivos fiscais. A previsibilidade das regras e a agilidade dos processos também são determinantes para a decisão de investir. Quando uma empresa enfrenta meses de espera para iniciar suas atividades, o impacto vai além dos custos financeiros. São empregos, renda e oportunidades de desenvolvimento que acabam sendo adiados”, destacou Passalio.
Para dimensionar esses impactos, o palestrante apresentou uma simulação envolvendo um empreendimento industrial de R$100 milhões. Nesse cenário, um atraso de seis meses na liberação de alvarás poderia gerar R$6,9 milhões em custos financeiros, além de adiar R$75 milhões em receitas e a criação de 500 empregos.
A apresentação também abordou iniciativas de simplificação administrativa já adotadas em Minas Gerais. Em Belo Horizonte, o tempo para obtenção do CNPJ foi reduzido de 68 para nove horas entre 2019 e 2025. Já o programa Minas Livre para Crescer foi citado como exemplo de desburocratização, com a dispensa de alvarás para 915 atividades econômicas.
Entre as soluções apontadas estão a digitalização e integração dos processos, a adoção de alvarás autodeclaratórios conforme o grau de risco, a definição de prazos para licenciamento e a criação de canais únicos de atendimento ao investidor. As medidas buscam reduzir custos, ampliar a segurança jurídica e dar mais previsibilidade à instalação de novos negócios.
“A redução da burocracia é uma agenda que pode avançar diretamente nos municípios. Processos mais simples, prazos claros e regras transparentes tornam o ambiente de negócios mais competitivo e favorecem a atração de investimentos. O desafio é transformar a eficiência da gestão pública em oportunidades concretas de crescimento para a indústria e para a economia local”, ressaltou Passalio.
O debate evidenciou a importância da modernização dos processos municipais e da simplificação regulatória para reduzir o Custo Brasil, estimular novos empreendimentos e fortalecer a competitividade do setor produtivo.
Sobre o Imersão Indústria
O Imersão Indústria é uma realização do Sistema FIEMG, com correalização da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O evento conta com patrocínio máster da Vale e apoio máster do Sebrae; patrocínio ouro da Usiminas, Kinross, Samarco, Grupo Avante e Sicoob Credifiemg; e patrocínio prata da AngloGold Ashanti, Herculano Mineração, Bemisa, ArcelorMittal e P7 Criativo. A iniciativa é realizada em parceria com a Construtora Barbosa Mello e tem apoio da 98 News, Casa e Decoração, FireFly, GoldenAir e B55.