A FIEMG realizou, no dia 24 de setembro, mais uma edição do ESG Talks, em formato virtual, com o tema Gestão Social dos Territórios. O encontro discutiu os desafios e as oportunidades relacionados à atuação das empresas nos territórios, especialmente nos setores da indústria e da mineração em Minas Gerais.
Entre os principais pontos abordados estiveram a importância da escuta qualificada, do diálogo contínuo com as comunidades e da articulação entre empresas, poder público, organizações locais e demais atores. A discussão também destacou a necessidade de compreender as características, demandas e oportunidades de cada território para orientar decisões e ações mais conectadas à realidade local.
Outro tema presente no debate foi a licença social para operar, relacionada à construção de confiança e legitimidade das empresas junto às comunidades e públicos impactados por suas atividades. Nesse contexto, a gestão territorial foi apresentada como um processo contínuo, que exige relacionamento, planejamento e capacidade de transformar demandas em iniciativas concretas.
Adriano Augusto, professor da Fundação Dom Cabral e especialista em ESG, impacto social, desenvolvimento territorial e relacionamento com comunidades, com mais de 18 anos de experiência, destacou que a gestão territorial precisa incorporar a percepção das comunidades às decisões empresariais. “A Licença Social para Operar precisa deixar de ser apenas um conceito e se tornar uma ferramenta de gestão. Quando a empresa mede a confiança e a aceitação das comunidades, consegue antecipar riscos, priorizar territórios, direcionar melhor seus investimentos sociais e tomar decisões mais consistentes”, afirmou Augusto.
O especialista também ressaltou que os indicadores tradicionais nem sempre são suficientes para compreender a relação entre empresas e comunidades. “Não basta medir quantas reuniões foram realizadas ou quanto foi investido em um território. É preciso entender como a comunidade percebe a empresa, porque essa percepção ajuda a construir confiança, legitimidade e relações mais sustentáveis no longo prazo”, destacou Augusto.
Mariana Morales, do Grupo Avante, ressaltou que a construção de relações consistentes depende da capacidade de ouvir e atuar de forma articulada com os diferentes públicos. “A licença social para operar e a gestão territorial estão entre os desafios cotidianos das empresas e exigem, cada vez mais, capacidade de escuta, diálogo, articulação e construção conjunta. Compartilhar experiências, instrumentos e ferramentas contribui para fortalecer o relacionamento entre empresas, comunidades e demais atores locais”, afirmou Morales.
A especialista também destacou a importância de transformar o diálogo em resultados efetivos para os territórios. “Avançamos quando conseguimos transformar o diálogo em ações concretas, capazes de responder aos principais anseios, desafios e oportunidades dos territórios, gerando valor compartilhado para comunidades, pessoas e empresas”, ressaltou Morales.
A edição do ESG Talks reforçou a importância da gestão territorial como parte das estratégias empresariais e ampliou o debate sobre práticas capazes de fortalecer o relacionamento entre o setor produtivo e as comunidades onde as empresas estão inseridas.
Imprensa FIEMG