
De acordo com um estudo realizado pela gerência de economia da FIEMG, o preço real médio do leite cru pago ao produtor avançou no 2º trimestre em relação ao trimestre anterior, com altas de 19,7% em Minas Gerais e de 17,8% no Brasil. O movimento reflete a menor disponibilidade relativa de matéria-prima no período, o que elevou a pressão sobre os preços e favoreceu sua recuperação. Valores deflacionados pelo IPCA de junho/2026 Apesar disso, os preços permaneceram abaixo dos registrados no mesmo trimestre de 2025.
Na comparação interanual, houve retração de 5,6% em Minas Gerais e de 6,0% no Brasil. Assim, o preço real médio do leite cru pago ao produtor alcançou R$2,78 por litro no estado e R$ 2,70 por litro no país no 2º trimestre de 2026. Em linha com a alta do preço médio do leite cru pago ao produtor, a maior parte dos derivados lácteos comercializados no atacado também registrou aumento de preços no 2º trimestre em comparação ao trimestre anterior. Em Minas Gerais, as maiores altas foram observadas no leite UHT (23,0%) e no queijo muçarela (21,3%).
Na média nacional, o leite UHT também apresentou a maior elevação no período (23,3%), enquanto a manteiga foi o único produto analisado a registrar queda (-1,0%). Além disso, na comparação com o mesmo trimestre de 2025, predominou a redução dos preços, à exceção do queijo muçarela, que registrou alta tanto em Minas Gerais quanto na média nacional. No estado, a maior queda foi observada no preço da manteiga (-9,2%). Já no Brasil, destacaram-se as retrações da manteiga (-11,0%) e do leite pasteurizado (-9,5%).
Em Uberlândia, Triângulo Mineiro, laticínios locais relatam aumento entre 15% a 20% no valor do leite, matéria prima para doces, queijos entre outros produtos.
O CEO do Grupo Fama Alimentos e vice presidente do SIAU (Sind. Ind. Alimentação de Uberlândia), Fausto dos Santos, relata que este tipo de variação é repassada ao consumidor posto que a margem de lucro dos produtos da cadeia do leite possuem uma margem muito pequena de lucro: “O impacto maior está no consumidor final pois repassamos esses custos, o setor de laticínios é muito dinâmico , e a margem das indústrias é muito baixa, então tem que fazer gestão muito eficiente para ficar no mercado.” Fausto ainda destaca que o aumento tem sido gradativo mês a mês, cerca de 3% desde o mês de junho de 2026, e o litro de leite pago ao produtor chegou a até R$3,00 o litro.
O Grupo Fama foi fundado em 1999 e conta com mais de 50 colaboradores no bairro Santa Mônica, zona leste de Uberlândia, além de produzir uma série de produtos a base de leite, como doce de leite, brigadeiro, beijinho, leite condensado, coberturas e recheios para bolos etc.
Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba representam 21,3% dos empregos mineiros vinculados ao manejo do leite nas indústrias
Minas Gerais é considerada principal bacia leiteira do Brasil, responsável por cerca de 27% a 30% da produção nacional. E as microrregiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba são reconhecidas por alguns dos maiores produtores de leite do país como Patrocínio e Patos de Minas. Além disso o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba correspondem a 21,3% dos empregos em laticínios em Minas Gerais, e 25,4% da massa salarial do Estado também referente às remunerações nos empregos citados
