A integração entre instituições de pesquisa, governo, universidades, agências reguladoras e setor produtivo é um dos fatores determinantes para que o Brasil avance na agenda dos minerais críticos e estratégicos. O tema foi debatido durante Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos 2026, com a presença do gerente de Pesquisa, Inovação e Tecnologia do Instituto de Terras Raras (CIT SENAI ITR), José Luciano de Assis Pereira, na última terça-feira (09/6), em Brasília.
O debate no seminário promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), também contou com especialistas de instituições como Agência Nacional de Mineração (ANM), Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), Universidade de São Paulo (USP), CETEM e Instituto SENAI de Inovação em Tecnologias Minerais do Pará.
O evento também reuniu lideranças, especialistas e representantes do setor para discutir o papel dos minerais críticos na transição energética global, abordando temas como políticas públicas, segurança mineral, geopolítica, sustentabilidade e o desenvolvimento das cadeias produtivas ligadas a esses recursos estratégicos.
Sobre o encontro, José Luciano destacou que o Brasil possui vantagens competitivas relevantes, mas precisa fortalecer a articulação entre os diversos atores envolvidos no setor. “O debate sobre minerais críticos e estratégicos no Brasil tem avançado, mas um ponto central evidenciado no Seminário Internacional em Brasília foi claro: sem instituições fortes e integradas, não há protagonismo possível nessa agenda”, explicou.
Segundo ele, o país já reúne competências técnicas e científicas capazes de impulsionar o desenvolvimento da cadeia mineral, mas ainda enfrenta desafios relacionados à coordenação e à integração institucional.
“Mais do que a disponibilidade de recursos naturais, o diferencial competitivo está na capacidade de articulação entre os diversos atores — órgãos técnicos, centros de pesquisa, universidades, agências reguladoras e setor produtivo. O Brasil possui essas competências, mas ainda enfrenta o desafio de conectá-las de forma estruturada e orientada a resultados”, completou.
Para o gerente, a integração entre essas instituições é fundamental para transformar conhecimento em inovação e ampliar a competitividade nacional. “A integração institucional é o elo que transforma dados em conhecimento, conhecimento em inovação e inovação em desenvolvimento econômico. Isso exige alinhar ciência, políticas públicas e demandas de mercado, garantindo que o potencial mineral se converta em projetos, investimentos e cadeias produtivas de maior valor agregado”.
José Luciano também ressaltou que os países que lideram a agenda global de minerais críticos combinam recursos naturais com governança eficiente e coordenação estratégica. “Fortalecer as instituições é fundamental, mas integrá-las é o que efetivamente reduzirá riscos, aumentará a atratividade para investimentos e permitirá um salto de competitividade”, concluiu.
Instituto de Terras Raras contribui para fortalecer cadeia nacional
A participação do Instituto de Terras Raras no debate ocorre em um momento de avanços importantes para o desenvolvimento da cadeia produtiva brasileira de terras raras. Localizado em Lagoa Santa (MG), o espaço abriga a primeira fábrica de ímãs permanentes da América Latina.
O instituto integra o Projeto MagBras, uma aliança formada por empresas, startups, centros de inovação, instituições de pesquisa, universidades e fundações de apoio que busca estruturar uma cadeia produtiva completa e permanente de terras raras no Brasil, desde a matéria-prima mineral até a fabricação do ímã final.
Os ímãs permanentes produzidos a partir de terras raras são componentes essenciais para tecnologias ligadas à transição energética e à indústria de alta tecnologia, como motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, computadores, equipamentos de ressonância magnética e sistemas de automação industrial.
Desde sua inauguração, em 2025, o ITR vem recebendo insumos oriundos de diferentes iniciativas voltadas ao aproveitamento de terras raras nacionais, fortalecendo a pesquisa aplicada e o desenvolvimento tecnológico no setor.
Para José Luciano, iniciativas como o CIT SENAI, o Instituto de Terras Raras e o MagBras demonstram como a cooperação entre diferentes instituições pode acelerar a transformação do potencial mineral brasileiro em desenvolvimento econômico e tecnológico. “O Brasil tem uma oportunidade estratégica diante da transição energética global. Aproveitá-la dependerá, sobretudo, da nossa capacidade de atuar de forma coordenada, com visão de longo prazo e foco em execução”, afirmou. Nesse contexto, ele conclui que iniciativas estas assumem papel relevante ao conectar pesquisa aplicada, inovação tecnológica e demandas industriais, aproximando o conhecimento das necessidades reais do setor produtivo.
Ana Paula Motta e Thais Mota
Imprensa FIEMG