A Câmara da Indústria da Construção da FIEMG promoveu, nesta quarta-feira (27/5), na sede da Federação, em Belo Horizonte, uma reunião voltada à discussão de pautas estratégicas para o setor da construção civil. O encontro reuniu representantes da indústria, especialistas e empresários para debater temas relacionados à legislação trabalhista, segurança predial, mobilidade urbana e gestão empresarial.
Um dos principais assuntos abordados foi o Projeto de Lei que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1, apresentado pela advogada trabalhista da Gerência de Assuntos Trabalhistas da FIEMG, Conceição Resende. Durante a exposição, foram detalhadas as principais propostas em tramitação no Congresso Nacional, incluindo as PECs 221/2019 e 8/2025, além do PL 1838/2026, que discutem a redução da jornada semanal para 40 ou 36 horas.
A advogada destacou os impactos econômicos e produtivos que as mudanças podem gerar para os setores produtivos, especialmente para a indústria da construção. Entre os pontos apresentados, destaque para o aumento de custos operacionais, a necessidade de novas contratações, possíveis impactos inflacionários e os desafios relacionados à produtividade das empresas. Também foram discutidos os avanços da tramitação das propostas no Congresso Nacional e os debates técnicos conduzidos na Comissão Especial da Câmara dos Deputados.
Outro destaque da reunião foi a apresentação sobre o Projeto de Lei Federal nº 159/2026, que trata da obrigatoriedade de inspeções técnicas periódicas em edificações. O tema foi debatido a partir dos impactos da proposta para a segurança das construções, manutenção preventiva e prevenção de acidentes estruturais. O projeto prevê a criação do Laudo de Inspeção Técnica de Edificação (LITE) e estabelece regras para inspeções periódicas em imóveis residenciais, comerciais, industriais e equipamentos urbanos.
Durante a discussão, também foram apresentados os avanços de iniciativas legislativas em Minas Gerais e em Belo Horizonte relacionadas à inspeção predial obrigatória. O debate destacou a importância da cultura de manutenção preventiva, especialmente diante de riscos como desabamentos, infiltrações, incêndios e comprometimento estrutural de edificações, conforme o presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de Minas Gerais (IBAPE-MG), Alexandre Deshamps, que falou sobre o tema.
Mobilidade urbana e gestão para o futuro das cidades
A pauta sobre mobilidade urbana foi conduzida pelo sócio da Panayotes Tsatsakis Engenharia e Construções, Efthymios Panayotes, que apresentou reflexões sobre planejamento urbano sustentável e os desafios da mobilidade nas cidades brasileiras. A apresentação trouxe dados sobre o crescimento da frota de veículos, os impactos da centralidade do automóvel e a necessidade de fortalecimento do transporte coletivo e de soluções mais sustentáveis de deslocamento.
Segundo o especialista, o planejamento urbano deve priorizar o transporte coletivo, os deslocamentos a pé e por bicicleta, além de soluções compartilhadas de mobilidade. O palestrante também destacou a importância da integração entre desenvolvimento urbano, infraestrutura e qualidade de vida nas cidades.
Conduzido pelo presidente da Câmara da Indústria da Construção, Geraldo Linhares, a reunião teve ainda com a palestra “Governança, Gestão e Produtividade para Incorporadoras e Construtoras”, ministrada pelo diretor da MGODOI, Marcelo Godoi. A apresentação abordou a importância da adoção de práticas de governança corporativa, gestão estratégica e aumento de produtividade como fatores essenciais para ampliar a competitividade e a sustentabilidade das empresas do setor da construção civil.
Segundo Linhares, “encontro reforçou o papel da FIEMG na promoção de debates técnicos e institucionais voltados ao fortalecimento da indústria da construção em Minas Gerais, contribuindo para a discussão de temas relevantes para o ambiente de negócios, segurança, inovação e desenvolvimento urbano”.

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