
A FIEMG realizou, no dia 4 de setembro, em Belo Horizonte, a palestra “Mais integridade, mais negócios: como implantar e aprimorar o Programa de Integridade à luz da Lei de Licitações e Contratos Administrativos”. O encontro, realizado na sede da entidade e transmitido ao vivo pelo canal da FIEMG no YouTube, teve como foco principal pequenas e médias indústrias interessadas em compreender como estruturar programas de integridade e se preparar para novas oportunidades em processos licitatórios. Confira a live completa neste link.
A iniciativa buscou apresentar, de forma prática, os principais requisitos para implementação de Programas de Integridade, mostrando que essas estruturas podem ser construídas de maneira proporcional à realidade de cada empresa, sem necessariamente envolver altos investimentos ou processos complexos.
Na abertura do evento, a gerente de Governança, Riscos e Compliance da FIEMG, Érica Alcântara, destacou a importância de desconstruir a ideia de que integridade é algo distante da realidade das pequenas empresas. “Quando falamos em programa de integridade, muitas vezes a primeira impressão é de que estamos tratando de estruturas complexas, investimentos elevados e processos difíceis de implementar. E é justamente para desconstruir essa percepção e mostrar que a integridade pode ser construída de forma prática, proporcional à realidade de cada organização e com o foco no que realmente importa que estamos realizando este evento”, afirmou.
Durante a palestra, a especialista em Compliance e Proteção de Dados Camila Melo Franco Motta reforçou que um Programa de Integridade deve ser entendido como uma ferramenta de gestão, capaz de auxiliar as empresas na prevenção de riscos, identificação de problemas e melhoria contínua dos processos internos.
Segundo ela, a construção de uma cultura de integridade começa com medidas básicas, como definição de responsabilidades, criação de regras claras, identificação dos principais riscos e estabelecimento de canais de comunicação.

“Um programa de integridade funciona como um ciclo contínuo. Primeiro, eu estabeleço mecanismos de prevenção. Depois, preciso ter formas de identificar quando algo saiu do caminho esperado. A partir dessa identificação, vem a etapa de apuração, resposta, correção e aprendizado”, explicou.
Camila destacou ainda que as empresas não precisam iniciar com estruturas robustas. O mais importante é estabelecer uma base funcional, com compromisso da liderança, gestão de riscos, regras aplicáveis, canais de escuta e processos de resposta.
Outro ponto abordado foi a importância do exemplo da liderança. Para a especialista, não basta criar documentos ou políticas internas: é necessário que os gestores demonstrem, na prática, os valores que a organização deseja fortalecer.
A relação entre integridade e a nova Lei de Licitações também foi tema da apresentação da subcontroladora de Transparência, Integridade e Controle Social do Estado de Minas Gerais, Cynthia Vieira. Ela explicou que a legislação ampliou o olhar sobre integridade, indo além dos programas formais e incorporando conceitos como governança, gestão de riscos, diálogo com o setor privado e linhas de defesa.
“Ao trazer a integridade para dentro da nova lógica de contratação pública, a lei busca justamente criar um ambiente mais seguro e eficiente. A ideia é que as empresas se organizem melhor, adotem boas práticas de gestão e tenham estruturas capazes de prevenir riscos”, destacou.
Segundo Cynthia, a mudança representa uma evolução na relação entre o poder público e o setor privado, criando condições para contratações mais eficientes e estimulando empresas comprometidas com boas práticas.

A especialista explicou ainda que a prevenção deve ser responsabilidade de toda a organização, e não apenas das áreas de compliance. “A primeira pessoa que precisa se preocupar se existe um desvio, uma irregularidade ou uma falha no processo é o próprio responsável pelo negócio. O sancionamento deve ser a última etapa, não a porta de entrada”, afirmou.
Entre os principais aspectos avaliados nos Programas de Integridade estão o comprometimento da liderança, gestão de riscos, políticas e procedimentos, comunicação e treinamento, canais de denúncia, investigação e resposta, além da gestão de terceiros.
Para as palestrantes, a integridade não deve ser vista como uma barreira para os negócios, mas como um diferencial competitivo. Empresas que conhecem seus processos, identificam seus riscos e estabelecem controles conseguem atuar em ambientes mais seguros, reduzir conflitos e ampliar sua capacidade de participação em novas oportunidades.
Confira as fotos da palestra “Mais integridade, mais negócios: como implantar e aprimorar o Programa de Integridade à luz da Lei de Licitações e Contratos Administrativos” no Flickr do Sistema FIEMG.
Denise Lucas
Imprensa FIEMG