A confiança dos empresários da indústria mineira voltou a recuar em fevereiro de 2026. O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (ICEI-MG) caiu 1,3 ponto em relação a janeiro, passando de 47,1 para 45,8 pontos. Com o resultado, o indicador permanece abaixo da linha dos 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança, pelo 15º mês consecutivo, sinalizando a intensificação do pessimismo no setor.
Na comparação com fevereiro de 2025, quando o índice marcou 46,7 pontos, houve retração de 0,9 ponto. O resultado é o menor já registrado para o mês nos últimos dez anos e está 6,4 pontos abaixo da média histórica do indicador, que é de 52,2 pontos.
O cenário nacional acompanha essa tendência. O ICEI brasileiro também registrou queda, passando de 48,6 pontos em janeiro para 48,2 pontos em fevereiro, o 14º mês seguido abaixo da linha divisória dos 50 pontos, confirmando que a desconfiança segue predominando entre os empresários da indústria no país.
De acordo com a análise da Gerência de Economia da FIEMG, a conjuntura macroeconômica continua impactando negativamente o setor. A expansão mais moderada da economia brasileira em 2026, reflexo do ciclo recente de aperto monetário e das condições restritivas de crédito, limita novos investimentos e a atividade industrial. Embora a inflação apresente desaceleração em alguns segmentos, ainda pressiona os custos de produção e o poder de compra das famílias. Soma-se a isso o ambiente externo marcado por incertezas geopolíticas e volatilidade nos mercados globais.
Condições atuais seguem desfavoráveis – O componente de condições atuais do ICEI-MG manteve-se em 41,3 pontos em fevereiro, repetindo o resultado de janeiro. O índice indica que os industriais seguem avaliando de forma negativa tanto a situação da economia, nos âmbitos nacional e estadual, quanto o desempenho de seus próprios negócios. Em relação a fevereiro de 2025 (42,6 pontos), houve queda de 1,3 ponto, atingindo também o menor nível para o mês em uma década.
A percepção sobre a economia brasileira permanece especialmente desfavorável, com índice de 34,4 pontos, enquanto a avaliação da economia do estado marcou 40,3 pontos. Já a avaliação sobre a própria empresa registrou 43,2 pontos, todos abaixo da linha de confiança.
Expectativas voltam ao campo do pessimismo – Após breve recuperação em janeiro, o índice de expectativas para os próximos seis meses voltou a recuar e atingiu 48,1 pontos em fevereiro, queda de 2 pontos frente aos 50,1 pontos do mês anterior. Com isso, o indicador retorna ao patamar de pessimismo. Na comparação anual, houve redução de 0,7 ponto, configurando o menor valor para fevereiro nos últimos dez anos.
Apesar do resultado geral negativo, as expectativas em relação às próprias empresas ainda se mantêm ligeiramente acima da linha dos 50 pontos (51,4), indicando que, mesmo diante de um ambiente macroeconômico adverso, parte dos industriais demonstra confiança moderada na capacidade de seus negócios.
Amostra e metodologia – A pesquisa ouviu 175 empresas, sendo 65 de grande porte, 51 médias e 59 pequenas,entre os dias 2 e 12 de fevereiro de 2026. O ICEI varia de 0 a 100 pontos. Valores acima de 50 indicam confiança; abaixo desse patamar, sinalizam falta de confiança.
Confira o estudo completo NESTE LINK.
Denise Lucas
Imprensa FIEMG