A indústria mineral manteve papel estratégico para a economia mineira no 1º trimestre de 2026. Segundo o Boletim da Indústria Mineral Brasil e Minas Gerais, divulgado nesta terça-feira (30) pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o setor registrou superávit de US$2,6 bilhões no estado entre janeiro e março, o equivalente a 45% do saldo total da balança comercial de Minas Gerais.
No período, as exportações da indústria mineral mineira somaram aproximadamente US$3 bilhões, enquanto as importações ficaram em cerca de US$220 milhões. O resultado reforça a relevância do setor para a geração de divisas, mesmo em um trimestre marcado por retração nas vendas externas em relação ao fim de 2025.
O minério de ferro permaneceu como principal produto da pauta mineral de Minas Gerais, respondendo por 91% das exportações do setor. Entre janeiro e março, o produto somou US$2,5 bilhões em vendas externas. A China seguiu como o principal destino das exportações minerais mineiras, com 81% de participação e compras que totalizaram mais de US$2 bilhões.
Apesar do saldo comercial positivo, o boletim aponta desaceleração no curto prazo. Em relação ao 4º trimestre de 2025, as exportações da indústria mineral mineira recuaram 23% em valor e 26% em volume. O movimento está associado, principalmente, à sazonalidade típica do início do ano, quando o período chuvoso tende a impactar a produção, a logística e a eficiência operacional das atividades extrativas.
No mercado de trabalho, Minas Gerais também manteve posição de destaque. A indústria mineral mineira gerou 740 vagas formais no 1º trimestre de 2026, acima das 544 criadas no mesmo período do ano anterior. Ao todo, o setor contabilizou mais de 79 mil trabalhadores formais no estado, o equivalente a aproximadamente 30% do estoque nacional. A extração de minerais metálicos liderou a abertura de postos em Minas, com 642 novas vagas.
Outro indicador que reforça o peso de Minas no setor é a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). No 1º trimestre, o estado arrecadou R$ 873 milhões, respondendo por 44% do total nacional. O principal município contribuinte foi Conceição do Mato Dentro, impulsionado sobretudo pelo minério de ferro.
O PIB da indústria mineral mineira recuou 5% frente ao trimestre imediatamente anterior, mas avançou 4% na comparação com o 1º trimestre de 2025. O resultado indica que, embora fatores sazonais tenham pressionado a atividade no curto prazo, o setor permaneceu em patamar superior ao observado no início do ano anterior.
Para os próximos meses, o boletim indica expectativa de recomposição gradual da produção mineral. Em Minas Gerais, a atividade deve seguir apoiada no minério de ferro, favorecida por ganhos de eficiência nas operações das empresas. A valorização do ouro e a demanda por minerais associados à transição energética e tecnológica também devem contribuir para a manutenção da relevância do setor ao longo de 2026.
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Fernanda Borges
Imprensa FIEMG