Antes de presentes e alimentos chegarem às lojas, a indústria já transformou o calendário comemorativo em planejamento. No Dia dos Pais, celebrado em 9 de agosto, esse movimento envolve análise da demanda, compra de matérias-primas, organização da produção, qualificação das equipes, formação de estoques e distribuição.
A antecedência varia conforme o ciclo de cada setor. Na moda, o desenvolvimento de uma coleção pode começar até um ano antes do lançamento. Na indústria de carnes, a preparação ocorre em conjunto com supermercados e açougues e ganha intensidade nas semanas que antecedem a comemoração.
Em Minas Gerais, uma pesquisa da Fecomércio MG para 2026 aponta que quase 90% dos empresários entrevistados consideram que o Dia dos Pais influencia as vendas. Mais de 80% acreditam que os consumidores deixarão as compras para a semana anterior à comemoração.
Em comum, as empresas precisam prever o comportamento do consumidor e equilibrar custos, prazos e capacidade produtiva. O objetivo é garantir o abastecimento sem gerar estoques excessivos nem comprometer a qualidade dos produtos.
Na indústria da moda, o planejamento para as datas comemorativas começa, geralmente, entre seis e 12 meses antes do lançamento e passa pela pesquisa de tendências, desenvolvimento dos produtos, escolha dos materiais, elaboração das fichas técnicas e programação da produção.
A antecedência também permite organizar a compra de tecidos e aviamentos. Custos, disponibilidade, prazos de entrega, rastreabilidade e critérios ambientais estão entre os fatores avaliados na seleção dos fornecedores.
Segundo a consultora técnica do SENAI-MG Modatec, Herika Sendas, a integração entre as etapas reduz riscos e torna a produção mais eficiente. “O planejamento precisa conectar pesquisa de mercado, desenvolvimento de produtos, compra de matérias-primas e produção. Essa organização ajuda a evitar retrabalhos, atrasos e excesso de estoque, além de ampliar a capacidade de resposta às mudanças no consumo”, explicou Sendas.
“A qualificação dos profissionais e o acesso a novas tecnologias também são fundamentais. O SENAI-MG Modatec apoia as empresas com cursos, treinamentos e consultorias em inovação, automação, transformação digital e inteligência artificial”, acrescentou Sendas.
Na indústria de carnes, o Dia dos Pais movimenta a produção e o abastecimento de supermercados e açougues. O churrasco amplia a procura por carnes bovinas, suínas e de frango, além de linguiças e produtos voltados à praticidade.
Em 2025, o faturamento do varejo alimentar na data cresceu aproximadamente 8% em comparação com o ano anterior, segundo levantamento da Scanntech em parceria com o Google.
A concentração da demanda exige alinhamento entre indústria e varejo. A preparação envolve definição do portfólio, programação da matéria-prima, formação de estoques, organização da expedição e disponibilidade de transporte refrigerado.
Picanha, contrafilé, fraldinha e linguiça toscana estão entre os produtos mais procurados. Preço e praticidade também influenciam as escolhas e ampliam o espaço para carnes suínas, cortes especiais e produtos industrializados.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes, Derivados e de Frios de Minas Gerais (SINDUSCARNE-MG), Pedro Braga, o comportamento do consumidor torna a antecipação ainda mais importante. “O Dia dos Pais tem forte relação com o setor porque muitas famílias comemoram em casa. Como as compras ficam concentradas nos dias anteriores à data, a indústria precisa alinhar estoques, produção, expedição e entregas com o varejo”, afirmou Braga.
“O aumento da demanda não altera os padrões de qualidade e segurança dos alimentos. A indústria mantém os controles sanitários durante todo o ano e reforça o monitoramento e a organização da cadeia refrigerada nos períodos de maior movimento”, ressaltou Braga.
O Dia dos Pais exemplifica uma preparação que se repete em outras grandes comemorações. Embora cada segmento tenha prazos e processos próprios, antecipar decisões é fundamental para atender ao aumento do consumo com eficiência, segurança e regularidade no abastecimento.
Fernanda Borges
Imprensa FIEMG