O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entrará em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026 e deve ampliar as oportunidades para a indústria mineira. Minas Gerais é o estado brasileiro com maior superávit comercial com o bloco europeu, com saldo de US$ 4 bilhões em 2025, além de ter a União Europeia como seu segundo maior parceiro comercial.
De acordo com um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o estado concentra cerca de 15% de todas as exportações brasileiras destinadas ao bloco em 2025, o que reforça a relevância estratégica de Minas na relação comercial entre Brasil e Europa. A avaliação é de que o acordo pode impulsionar ainda mais esse desempenho, com espaço para diversificação da pauta exportadora e ampliação da participação de produtos industrializados.
O tratado, negociado ao longo de mais de duas décadas e assinado em janeiro de 2026, prevê a redução gradual de tarifas e barreiras comerciais, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Além disso, estabelece uma série de regras de facilitação de comércio e investimentos. Para Minas Gerais, o acordo reforça oportunidades em produtos com potencial de maior valor agregado, como café industrializado, alimentos processados, rochas ornamentais beneficiadas, autopeças, partes de motores, silício metálico e outros químicos inorgânicos, dentre outros nichos industriais que terão tarifas eliminadas ou reduzidas. Cadeias já consolidadas na pauta mineira, como café verde, celulose e metalurgia, seguem relevantes para o comércio com a União Europeia, ainda que parte delas já era isenta de tarifas antes do acordo.
Ao mesmo tempo, a FIEMG alerta para a necessidade de atenção em relação à competitividade da indústria, sobretudo em segmentos mais expostos à concorrência internacional e às exigências regulatórias e ambientais do mercado europeu.
No cenário nacional, o estudo identificou cerca de 11 bilhões de euros em produtos imediatamente beneficiados pelo acordo baseado no que o bloco importou do Brasil em 2025, com ganhos associados à expansão do comércio exterior, além de aumento da produtividade e maior integração às cadeias globais de valor.
Para a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da FIEMG, Verônica Winter, o acordo representa uma oportunidade estratégica para o estado, mas exige preparo das empresas. “Minas Gerais já tem uma relação comercial relevante com a União Europeia, sobretudo em commodities agrícolas, minerais e insumos industriais. A oportunidade agora é de avançar na diversificação das exportações e aumentar a participação de produtos industrializados, garantindo maior valor agregado e competitividade internacional”, afirma.
A FIEMG reforça que acompanha o tema de forma estratégica e defende a adoção de políticas públicas que apoiem a adaptação da indústria brasileira às novas condições de mercado, especialmente em relação à inovação, produtividade e inserção internacional. Entre os principais pontos de atenção estão as exigências sanitárias e ambientais da União Europeia, as regras de origem, a capacidade de adaptação das pequenas e médias empresas e os impactos sobre setores mais sensíveis à concorrência externa.
Confira o estudo completo NESTE LINK.
Imprensa FIEMG