Em reunião nesta quarta-feira (25/11), na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte, o Fórum Estadual Emprego e Renda colocou em pauta o debate sobre empréstimo consignado e tratou sobre a eleição do Co-Presidente do Fórum. O encontro foi aberto pelo presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, que também é presidente do Fórum.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que o volume total de empréstimo consignado no acumulado do ano de 2025 chegou a R$ 50 bilhões: uma ascensão explosiva, o que representa um aumento em mais de 1600% em apenas 6 meses. “O problema do endividamento do trabalhador é nacional e precisamos conter a explosão dessa dívida. É um problema estrutural”, destacou o presidente da FIEMG.
Roscoe se disse estarrecido com a realidade do empréstimo consignado no país. “Os juros do empréstimo consignado estão a 8%. É uma taxa surreal. As empresas estão de mãos atadas, não podendo fazer nada do ponto de vista legal. Precisamos trabalhar em conjunto para que o governo federal tome atitudes e coloque teto no juros. Limitar o teto para as instituições bancárias é proteger o trabalhador para fazer empréstimos mais ponderados”.
Roscoe destacou que o endividamento é um enorme risco e gera muitos impactos organizacionais, dentre eles: a diminuição expressiva do salário líquido, folhas de pagamento zerada, absenteísmo e improdutividade, insatisfação com a empresa, rescisões contratuais e como consequência a informalidade.
O que a FIEMG está fazendo?
A FIEMG trabalhou na conscientização, com mais de 13 palestras para divulgar novas regras e devidos cuidados que empresas precisam adotar. Além disso, a Federação das Indústrias de Minas Gerais está atuando para impactar na legislação.
“Queremos levar uma proposta para o governo federal para atuarmos em conjunto, pois sabemos que esse é um problema nacional. Precisamos propor um limite para o percentual de salário e teto dos juros do empréstimo consignado. O governo tem que limitar o juros para limitar a oferta. Até porque sabemos que o limite de 30% do salário é uma base fictícia”, explica.
“Sugiro também rever a regra de que a empresa tem de ter convênio com o banco para que empregados façam adesão, para que volte com a racionalidade da empresa em negociar os juros e não deixar a relação do empregado com a instituição financeira de forma totalmente independente, o que tende a gerar maior descontrole e isenta a empresa da negociação”, acrescentou Roscoe.
“Estamos investindo também em um app, em que o usuário vai ter acompanhamento orçamentário da Inteligência Artificial, de tudo o que gasta. Ao relatar os gastos, a IA avisará, que naquele ritmo de consumo, o trabalhador terminará o mês com R$ 200, e aconselhará a tomar tal decisão. A maioria dos trabalhadores não tem planejamento financeiro e tende a perder o controle dos gastos”, ressalta o presidente da FIEMG.
A FIEMG também está produzindo uma cartilha educativa para os empresários atuarem junto aos trabalhadores.
Eleição do Copresidente
A reunião começou com a eleição do novo copresidente. O escolhido foi José Afranes de Carvalho, presidente da Federação dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação do Estado de Minas Gerais. O nome foi aprovado por unanimidade. De acordo com o regulamento, a eleição é indicada pelas entidades sindicais de trabalhadores, membros do Fórum, o mandato tem duração de 12 meses.
“Vai ser um prazer estar ao lado do Flávio Roscoe, mesmo que por pouco tempo. Me sinto em casa na FIEMG e agradecido pela confiança da bancada na minha escolha. Quero nesses 12 meses como copresidente, pôr em prática de forma intensa essa parceria com a FIEMG, aprofundar e aproximar convenções coletivas laborais, como representante dos nossos setores industriais”, destacou Afranes.

Marina Rigueira
Imprensa FIEMG