Em dezembro de 2025, a atividade industrial mineira perdeu dinamismo, com queda da produção e do emprego. O índice de evolução da produção recuou pelo segundo mês consecutivo, influenciado pela menor demanda do comércio e pela concentração de férias no período. O mercado de trabalho também apresentou enfraquecimento, com queda do emprego industrial.
Esses dados são da Sondagem Industrial de Minas Gerais, pesquisa mensal realizada pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que avalia a evolução recente da indústria e as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (23).
A Sondagem Industrial mostra ainda que as empresas seguiram operando com nível de utilização da capacidade produtiva abaixo do padrão usual, reforçando o quadro de arrefecimento da atividade. Por sua vez, os estoques de produtos finais recuaram pelo quinto mês consecutivo e permaneceram abaixo do nível planejado pelas empresas.
No quarto trimestre de 2025, os empresários mineiros mantiveram avaliação negativa sobre a situação financeira de seus negócios, as margens de lucro e as condições de acesso ao crédito. A elevada carga tributária foi apontada como o principal entrave ao desempenho do setor, posição que se manteve ao longo de todo o ano.
Para os próximos seis meses, as expectativas indicam aumento da demanda e da compra de matérias-primas, embora persista o pessimismo em relação à evolução do emprego. A intenção de investimento registrou leve alta na comparação mensal, mas permaneceu abaixo do patamar observado há um ano.
Industriais otimistas com o primeiro semestre de 2026
Os industriais mineiros estão otimistas em relação à demanda e à compra de matéria prima para o início deste ano. O índice de expectativa de demanda registrou 52,1 pontos em janeiro. O resultado indicou perspectiva de elevação da demanda nos próximos seis meses, ao ficar acima dos 50 pontos – fronteira entre recuo e expansão. O indicador avançou 5,7 pontos em relação a dezembro (46,4 pontos) e 0,2 ponto ante janeiro de 2025 (51,9 pontos).
O índice de expectativa de compra de matérias-primas marcou 51,5 pontos em janeiro, mostrando perspectiva de aumento das compras nos próximos seis meses. Em relação a dezembro (47,6 pontos), o indicador avançou 3,9 pontos e, na comparação com janeiro de 2025 (50,7 pontos), apresentou crescimento de 0,8 ponto.
O índice de expectativa de número de empregados registrou 49,1 pontos em janeiro, sinalizando perspectiva de retração do emprego industrial nos próximos seis meses. O indicador subiu 1,6 ponto ante dezembro (47,5 pontos), mas recuou 0,3 ponto frente a janeiro de 2025 (49,4 pontos), sendo o menor valor para o mês em nove anos.
Na pesquisa de Sondagem Industrial são apresentados indicadores de atividade (evoluções da produção e do emprego, utilização da capacidade instalada em relação à usual e estoques) e de situação financeira, os principais problemas enfrentados pela indústria, as expectativas quanto à demanda, à compra de matérias-primas e ao emprego, e as intenções de investimento dos empresários. É uma importante ferramenta para a tomada de decisões empresariais, para análises econômicas e para a elaboração de políticas públicas.
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Marina Rigueira
Imprensa FIEMG