A inflação persistente, os juros elevados, o avanço das importações subsidiadas e os gargalos de infraestrutura foram os principais pontos de debate da reunião do Conselho de Política Econômica da FIEMG, realizada nesta quinta-feira (25/6), na sede da FIEMG, em Belo Horizonte. Na ocasião, especialistas e representantes da indústria avaliaram os impactos do cenário econômico sobre a produção, os investimentos, os empregos e o poder de compra da população.
A análise de conjuntura apresentada pelo economista Alexandre Schwartsman destacou um ambiente global mais instável, marcado por incertezas na política monetária dos Estados Unidos e da Europa, valorização do dólar e efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o preço do petróleo. No Brasil, a avaliação apontou dificuldades para a convergência da inflação à meta, mesmo com juros altos, além de pressão no mercado de trabalho e crescimento dos salários acima da produtividade.
Para o presidente do Conselho de Política Econômica, Rogério Mascarenhas, o debate mostra que a agenda econômica precisa olhar além dos indicadores de curto prazo. “A indústria de transformação precisa voltar ao centro da estratégia de desenvolvimento. Quando a produção perde espaço, o país perde empregos qualificados, arrecadação, renda e capacidade de competir”, afirmou.
A reunião também tratou dos desafios da siderurgia, com apresentação de André Chaves, diretor corporativo de Relações Institucionais e Comunidades da Usiminas. O setor relatou preocupação com a concorrência de produtos importados, especialmente da China, em condições consideradas desiguais. A entrada de aço e de produtos industrializados com subsídios afeta diretamente a cadeia produtiva nacional, que envolve mineração, siderurgia, autopeças, construção civil e outros segmentos relevantes para Minas Gerais.
Os conselheiros defenderam medidas de defesa comercial, como ações antidumping, tarifas, cotas e critérios ambientais que evitem distorções competitivas. A preocupação central é impedir que a perda de competitividade da indústria brasileira resulte em fechamento de postos de trabalho, redução de investimentos e maior dependência de produtos estrangeiros.
Outro ponto de destaque foi o chamado custo Brasil. A infraestrutura deficiente, a logística cara, a complexidade tributária e o custo do crédito foram apontados como fatores que encarecem a produção nacional. Em Minas Gerais, esses entraves atingem de forma especial empresas que dependem do escoamento de matérias-primas e produtos industrializados por rodovias e ferrovias.
Ao final, o Conselho indicou que a construção de diagnósticos setoriais será essencial para orientar propostas de desenvolvimento industrial. A ideia é mapear gargalos da cadeia que vai da mineração à indústria de transformação e propor soluções capazes de elevar produtividade, competitividade e geração de empregos em Minas Gerais.
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Ana Paula Motta
Imprensa FIEMG