O Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI), em Belo Horizonte, recebeu, no dia 10 de setembro, a reunião de encerramento do Projeto SOAR. A iniciativa é voltada ao desenvolvimento de um sistema para aplicação localizada de revestimento antirrespingo de solda em fixadores automotivos, com foco em segurança veicular, eficiência produtiva e redução de retrabalhos industriais. Durante a agenda, foi apresentado o overview do projeto e realizada uma visita aos dois protótipos desenvolvidos no Instituto SENAI de Tecnologia Metalmecânica (ISTMM), instalado no CIT SENAI. As estruturas fazem parte da etapa de validação do sistema em ambiente laboratorial.
Iniciado em 13 de março de 2024, o Projeto SOAR envolve atividades de pesquisa aplicada, desenvolvimento de metodologia, fabricação de protótipos e validação de uma solução tecnológica voltada para a indústria automotiva. A iniciativa é realizada em parceria entre Sodecia, Nanum Nanotecnologia, Stellantis e TechnoSpray, com investimento de aproximadamente R$ 2 milhões.
Segundo Pedro Tironi, analista de tecnologia do CIT SENAI, o sistema, desenvolvido com recursos do programa MOVER, operacionalizados pelo Departamento Nacional do SENAI, foi concebido para atender uma necessidade da indústria automotiva. “O projeto SOAR é um sistema automatizado para aplicação de tinta antirrespingo de solda desenvolvida pela Nanum em fixadores automotivos, seja em porcas e parafusos. O objetivo é formar uma camada protetiva nesses itens, reduzindo a aderência de respingos de solda durante a fabricação”, explicou.
Entre os principais benefícios previstos estão a redução de falhas no aperto de elementos de fixação soldados, causadas pela presença de respingos de solda aderidos às roscas, além da redução de retrabalhos e dos custos associados ao processo. O projeto também possibilitou a aplicação de um consumível antirrespingo 100% nacional, livre de fluorados, com redução do custo de aplicação do revestimento e potencial de diversificação do uso de elementos fixadores soldados.
Segundo Laura Ribeiro Paulinelli, coordenadora de P&D da Nanum Nanotecnologia, o projeto nasceu a partir de um desafio apresentado pela Sodecia: desenvolver, no Brasil, um revestimento com desempenho equivalente ao da solução utilizada atualmente na proteção contra respingos de solda, mas com menor custo. “A partir dessa demanda, concentramos nossos esforços no desenvolvimento de uma solução capaz de atender a todos os requisitos técnicos do projeto. Foi assim que nasceu o revestimento antirrespingo de solda Nanum, desenvolvido e patenteado por nós.
Além de alcançar o desempenho esperado, o produto incorpora uma tecnologia inovadora de proteção, baseada em um filme formado por nanopartículas funcionalizadas dispersas em matrizes poliméricas. A solução não exige processos de cura complexos, apresenta baixo consumo de energia e custo reduzido. Também se destaca pelo aspecto sustentável, por não utilizar materiais fluorados presentes no revestimento atualmente empregado, além de oferecer maior segurança à saúde dos trabalhadores. A ampliação do uso desse revestimento na cadeia automotiva representa um avanço importante para o setor e evidencia a capacidade da indústria brasileira de desenvolver tecnologias inovadoras, competitivas e sustentáveis, reduzindo a dependência de soluções estrangeiras.”
O Gerente de Engenharia do Produto da Sodecia, Glauco Gomes, ressaltou o papel da parceria com o SENAI no desenvolvimento dos protótipos. “Para a Sodecia, o SOAR reforça a importância de mantermos uma relação próxima com centros de pesquisa como o SENAI. Como fornecedores de primeira linha na cadeia automotiva, entendemos que não basta reagir aos desafios da produção: é preciso antecipar soluções, e isso só é possível quando temos acesso a uma capacidade técnica de pesquisa e desenvolvimento robusta, desenvolvida aqui no Brasil. Essa parceria nos permitiu transformar um gargalo real do nosso processo produtivo em tecnologia própria, o que fortalece nossa posição como parceiro estratégico de inovação das montadoras.
Segundo Gomes, a expectativa é que a tecnologia seja aplicada em ambientes industriais para contribuir com a solução de desafios do setor automotivo. “Nosso propósito com o SOAR vai muito além de resolver um problema pontual da Sodecia. Queremos levar essa tecnologia para o ambiente industrial de forma escalável, contribuindo para solucionar um desafio comum a todo o setor automotivo e, com isso, gerar valor real para os nossos clientes e para as montadoras. Há também uma dimensão que considero essencial: a sustentabilidade na seleção dos materiais utilizados no processo, buscando soluções que reduzam desperdício e diminuam o impacto ambiental da nossa cadeia produtiva. É esse tipo de inovação aplicada e sustentável que reforça a importância de parcerias com ICT’s, Start-ups, clientes e cadeia de fornecedores para pavimentarmos o futuro da indústria automotiva brasileira.”
Para Frederico de Almeida Mendes, supervisor de inovação em materiais da Stellantis, o projeto contribui para avanços em sustentabilidade, competitividade e desenvolvimento da indústria nacional. “O projeto vai atuar em três frentes fundamentais. A primeira delas é a questão da sustentabilidade, buscando reduzir a pegada de carbono e utilizar materiais mais sustentáveis”, explicou.
O representante da Stellantis também destacou o impacto econômico da nacionalização da solução. “Existe uma possibilidade de aumentar a competitividade da empresa através da otimização de valor e da redução de custo, porque estamos deixando de usar um material importado e utilizando um material fabricado aqui”, afirmou.
A iniciativa integra esforços de desenvolvimento tecnológico entre empresas e instituições de pesquisa para criação de soluções aplicadas à indústria automotiva brasileira. De acordo com Frederico, ainda há etapas de negociação e acordos para implementação da tecnologia, com expectativa de aplicação nos veículos da Stellantis no próximo semestre de 2027.
Imprensa FIEMG