O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro de 2026, registrando a maior taxa para o mês desde 2021. O resultado representa uma aceleração em relação a agosto e supera a variação de 0,48% observada em setembro de 2025, encerrando uma sequência de cinco meses de desaceleração da inflação, segundo análise da Federação da Indústrias de Minas Gerais (FIEMG). Os números foram divulgados nesta sexta-feira (9), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,58%, acima do limite superior de 4,5% da meta de inflação. Entre os grupos pesquisados, Habitação apresentou a maior variação, de 2,31%, seguida por Transportes (1,75%), Alimentação e bebidas (1,17%), Vestuário (0,71%) e Comunicação (0,64%).
Para João Gabriel Pio, economista-chefe da FIEMG, o resultado exige atenção, pois indica que a pressão inflacionária continua presente mesmo diante da perda de ritmo da atividade econômica. “A reaceleração do IPCA mostra que o processo de desinflação ainda enfrenta obstáculos importantes. A inflação acima do teto da meta reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária, especialmente porque a persistência das pressões sobre os preços pode dificultar a convergência da inflação para o objetivo estabelecido”, pontua.
O economista obserca que as perspectivas para os próximos meses também apontam para riscos de novas pressões sobre os preços. O mercado de trabalho aquecido pode manter os custos com mão de obra elevados, com efeitos sobre os preços de serviços e os custos da construção civil. No Boletim Focus, a mediana das projeções para a inflação de 2026 chegou a 5,01%, acima do limite superior da meta.
“O cenário combina fatores internos e externos que podem tornar a inflação mais resistente. De um lado, a demanda por trabalho e os custos de produção podem sustentar pressões domésticas. De outro, conflitos geopolíticos, oscilações nos preços dos combustíveis e riscos climáticos podem elevar os custos de energia, transporte e alimentos”, avalia Pio.
No cenário internacional, a guerra no Oriente Médio pode afetar a oferta e os preços dos combustíveis e de outros insumos. A redução dos estoques estratégicos de petróleo e uma eventual recuperação da demanda global, inclusive na China, também podem pressionar os preços de energia, fretes e produtos. Além disso, a possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade no quarto trimestre de 2026 representa um risco para a produção agrícola e a oferta de alimentos e energia.
No âmbito doméstico, os resultados fiscais e a expansão de políticas de crédito também exigem atenção. Caso contribuam para sustentar a demanda e dificultem a transmissão da política monetária, esses fatores podem tornar mais complexo o controle da inflação. “A sustentabilidade da trajetória de queda da inflação depende da combinação entre uma política monetária eficaz, condições fiscais consistentes e a evolução dos fatores externos. Se as pressões sobre custos e demanda persistirem, o retorno à meta poderá ser mais lento, mantendo o ambiente de juros elevados por mais tempo e afetando as decisões de consumo e investimento das empresas e das famílias”, conclui o economista-chefe da FIEMG.
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Imprensa FIEMG
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