A indústria mineira registrou a terceira queda consecutiva no faturamento em julho, com retração de 1,1% na comparação com junho, conforme a Pesquisa Indicadores Industriais. O resultado reflete a redução dos pedidos em carteira nas empresas dos segmentos extrativo e de transformação, sinalizando desaceleração no ritmo de crescimento do setor.
As horas trabalhadas na produção permaneceram praticamente estáveis, com variação positiva de 0,1% no mês. Já a utilização da capacidade instalada caiu de 82,9% em junho para 81% em julho. No mercado de trabalho, o emprego industrial apresentou alta de 0,8%, impulsionado por ajustes no quadro de funcionários das empresas da indústria de transformação.
A massa salarial real cresceu 0,2% no período, influenciada pelo pagamento de reajustes salariais e participações nos lucros e resultados. Em contrapartida, o rendimento médio real recuou 0,4% em julho.
No acumulado do ano, o faturamento da indústria mineira registra avanço de 0,5%, resultado inferior ao crescimento de 1,2% observado até junho. O desempenho reflete a diferença entre os segmentos: enquanto a indústria de transformação acumula estabilidade, com queda de 0,1%, a indústria extrativa apresenta crescimento de 6,9%.
O cenário econômico segue desafiador, marcado pelo elevado endividamento das famílias, condições financeiras restritivas, inflação acima da meta e incertezas relacionadas às contas públicas e ao período eleitoral. No ambiente externo, as tensões geopolíticas e as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ampliam os desafios para a indústria.