Berço preservado da indústria mineira, a Vila de Biribiri, localizada nos arredores de Diamantina, comemora 150 anos em 2026. Para marcar a data, uma série de atividades será realizada nos dias 17 a 19 de julho, reunindo autoridades, convidados, ex-funcionários, moradores e representantes do setor industrial.
A programação é promovida pela Estamparia S.A., atual proprietária das antigas instalações da fábrica de tecidos que funcionou no local entre 1876 e 1973. Fundada pelo bispo Dom João Antônio dos Santos e seus familiares, a fábrica produzia, em sua maioria, tecidos de algodão grosso, comercializados na região e também no Rio de Janeiro.

Mais do que um marco arquitetônico e turístico, Biribiri é reconhecida como um importante lugar de memória do trabalho. A antiga vila operária foi construída para abrigar os trabalhadores da fábrica e chegou a contar com moradias, armazém, escola, clube e a Capela do Sagrado Coração de Jesus. O conjunto arquitetônico e paisagístico foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) em 1994.
Segundo Rogério Mascarenhas, diretor da Estamparia S.A. e presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado de Minas Gerais (SIFTMG), a preservação da Vila de Biribiri é também a preservação de uma parte essencial da história econômica e social de Minas.
“A Vila do Biribiri é uma das poucas vilas fabris originais ainda conservadas no mundo e representa o início da industrialização em Minas Gerais. Antes da energia elétrica, a força motriz vinha da água, por meio de rodas hidráulicas, correias e polias que movimentavam as máquinas da fábrica. Em torno desse modelo produtivo, nasceram as vilas fabris, com casas e serviços para os trabalhadores. Preservar Biribiri é manter viva uma preciosidade histórica e lembrar como a indústria foi fundamental para gerar desenvolvimento, riqueza e oportunidades para a sociedade”, afirma Mascarenhas.
A história da Vila também revela a complexidade do início da industrialização no Estado. O maquinário utilizado na fábrica foi importado dos Estados Unidos e transportado até o sertão mineiro em uma longa operação logística, que envolveu mar, rios, trens, carros de boi e tropas. Pela localização distante do centro urbano, a construção da vila operária foi necessária para garantir moradia e estrutura aos trabalhadores.
A fábrica teve papel relevante na economia regional e, no auge de sua produção, contou com centenas de trabalhadores. Ao longo de sua trajetória, a presença feminina foi marcante nas atividades têxteis, especialmente nas funções de fiação e tecelagem. Após o encerramento das atividades industriais, em 1973, a Estamparia S.A. manteve a conservação do espaço, permitindo que Biribiri se consolidasse como referência histórica, cultural e turística.

Atualmente, a Vila de Biribiri é um dos principais atrativos de Diamantina. Localizada a cerca de 13 quilômetros do centro da cidade, dentro do Parque Estadual do Biribiri, recebe visitantes interessados em conhecer sua arquitetura preservada, a antiga fábrica, a capela, as casas históricas e as belezas naturais da região, como as cachoeiras da Sentinela e dos Cristais.
As comemorações pelos 150 anos começam no dia 17 de julho, às 16h, no Centro de Convenções da Prefeitura Municipal de Diamantina, com recepção, abertura cultural, premiação de concurso de redação, assinatura de protocolo de intenções, homenagem a ex-funcionários da Fábrica do Rio Grande e descerramento de placa comemorativa.
No dia 18 de julho, as atividades serão realizadas na própria Vila de Biribiri. A programação inclui visita à vila, visitação ao Centro de Memórias, solenidade comemorativa no Clube da Vila, Vesperata Especial dos 150 anos em frente à Igreja de Biribiri e jantar de confraternização no antigo refeitório. Já no dia 19, uma missa será realizada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus.
Com a celebração, a Estamparia S.A. e o Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem no Estado de Minas Gerais (SIFTMG) reforçam o compromisso com a preservação de um patrimônio que atravessa gerações e ajuda a contar a história da indústria em Minas Gerais. Como define o resumo histórico encaminhado aos convidados, os 150 anos da Vila representam “um resgate a uma história tão significativa”.
Comemoração dos 150 anos da Vila de Biribiri
Datas: 17, 18 e 19 de julho de 2026
17 de julho
Horário: 16h
Local: Centro de Convenções da Prefeitura Municipal de Diamantina
Programação: Solenidade compremiação de concurso de redação, assinatura de protocolo de intenções, homenagem a ex-funcionários da Fábrica do Rio Grande e descerramento de placa comemorativa
18 de julho
Local: Vila de Biribiri
Programação: visita à vila, Centro de Memórias, solenidade comemorativa, Vesperata Especial e jantar de confraternização.
19 de julho
Local: Igreja do Sagrado Coração de Jesus
Programação: Missa em celebração aos 150 anos da Vila de Biribiri
Thaís Mota
Imprensa FIEMG