A transformação da indústria siderúrgica rumo a uma economia de baixo carbono foi tema do Climate Talks Belo Horizonte – Diálogo Climático Brasil-Alemanha: Aço Verde em Transformação, realizado nessa quarta-feira (23/9), na sede da FIEMG, em Belo Horizonte. O encontro reuniu representantes da indústria, instituições de pesquisa, setor financeiro e organizações nacionais e internacionais para discutir caminhos para reduzir emissões, estimular inovação e fortalecer a competitividade do setor produtivo.
A descarbonização da indústria foi apresentada como um desafio que ultrapassa a agenda ambiental e envolve desenvolvimento econômico, geração de empregos, investimentos e inovação tecnológica. Durante a abertura, o pesquisador do Centro CIT SENAI de Descarbonização, Luiz Cláudio de Melo Costa, destacou que o evento representa uma convergência de iniciativas voltadas à transformação industrial.
“Eu não sou muito de acreditar em coincidências, mas houve uma congruência, uma junção, uma sinergia de desejos, vontades, direcionamentos e necessidades que culminou com o evento que a gente está realizando e presenciando aqui hoje”, afirmou.
Segundo Luiz Cláudio, a agenda está conectada ao Projeto Estruturante Aço de Baixa Pegada de Carbono, ou Aço BPC, como ele chamou. A iniciativa é voltada à pesquisa e ao desenvolvimento de soluções para redução das emissões na siderurgia. O projeto, que conta com recursos do Programa Mover, também envolve a cadeia automotiva. “É um dos maiores projetos de pesquisa do Brasil na área de siderurgia para redução das emissões e da pegada de carbono”, explicou.
Para o representante da Embaixada da Alemanha no Brasil, Timon Lepold, a cooperação entre os dois países tem papel estratégico na transformação dos compromissos climáticos em ações concretas dentro das empresas e cadeias produtivas.
“A descarbonização da indústria não é apenas uma questão ambiental. É uma questão de competitividade, de inovação, de investimento e também de trabalho”, destacou.
Lepold ressaltou ainda a importância do setor siderúrgico para a transição energética, já que o aço está presente em áreas como infraestrutura, transportes, construção e tecnologias necessárias para uma economia de menor emissão de carbono. “O Brasil e a Alemanha, juntos, unem características únicas: tecnologia de ponta, energia renovável, conhecimento tecnológico e experiência na formação profissional para mostrar ao mundo que a descarbonização da indústria não é apenas necessária, mas também viável”, afirmou.
O coordenador da GIZ no Brasil, Marcos Oliveira, destacou que o país reúne condições favoráveis para desenvolver soluções industriais sustentáveis, como uma matriz energética com alta participação de fontes renováveis, potencial para produção de hidrogênio verde, uso de biomassa sustentável e avanço da economia circular.
Segundo ele, o programa apresentado durante o evento busca criar condições para acelerar investimentos em tecnologias de descarbonização. “O programa tem o objetivo de melhorar as condições regulatórias, técnicas e financeiras para que as empresas acelerem suas decisões de investimento em tecnologias e, com isso, gerem soluções para o Brasil”, explicou.
Debates sobre tecnologia e investimentos
A programação contou com dois painéis. O primeiro, “A demanda futura da cadeia de valor do aço de baixo carbono”, debateu as transformações do setor siderúrgico, oportunidades tecnológicas e os desafios para a transição para uma produção com menor emissão de carbono. A conversa foi mediada por Thompson Junior Avila Reis, coordenador da ISI Metalurgia e Ligas Especiais no CIT SENAI, e reuniu Guilherme Abreu, gerente-geral de Sustentabilidade da ArcelorMittal Brasil; Gustavo Pereira, engenheiro de Projetos Metalúrgicos da SMS Group; Igor Ramos, engenheiro Técnico de Vendas da Neuman & Esser; além de Roberto Maia, diretor de Sustentabilidade da Usiminas, e Marcos Cantarino, gerente de Relações Institucionais da Gerdau, que participaram de forma on-line.
O segundo painel, “Mobilização de capital para a transformação industrial”, abordou o papel dos investimentos e mecanismos financeiros para viabilizar projetos de inovação e descarbonização. A mediação foi conduzida por Luiz Cláudio de Melo Costa e contou com a participação de Ana Luiza Almeida Lage, coordenadora de Desenvolvimento Industrial do SENAI Nacional; André Francisco Wolf, Business Development Manager da KFW IPEX-Bank GmbH; e Fábio Cavalcanti, coordenador de Relações com o Mercado da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).
O encontro em Belo Horizonte abriu as portas para a integração entre empresas, instituições de pesquisa, governo e setor financeiro para transformar conhecimento e tecnologia em projetos capazes de impulsionar uma indústria mais inovadora, competitiva e preparada para os desafios da transição climática.
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Ana Paula Motta
Imprensa FIEMG