A possibilidade de aplicação de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e as recentes mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estiveram entre os principais assuntos da reunião da diretoria colegiada do Centro Industrial e Empresarial de Minas Gerais (CIEMG), realizada nessa segunda-feira (13/7), na sede da entidade, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Logo na abertura do encontro, o presidente do CIEMG, Fausto Varela, abordou os dois temas, considerados estratégicos por impactarem diretamente a operação, a competitividade e a segurança jurídica das indústrias.
Ao tratar do comércio exterior, Varela destacou a preocupação com as medidas tarifárias em análise pelo governo norte-americano. Caso duas cobranças propostas sejam confirmadas, acumuladas e aplicadas sobre um mesmo produto brasileiro, a sobretaxa adicional poderá chegar a 37,5%. Entre os segmentos mineiros mais expostos está o de ferro-gusa, matéria-prima utilizada pela indústria siderúrgica dos Estados Unidos.
Segundo o presidente do CIEMG, que também preside o Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG), o setor poderá ser fortemente impactado caso as novas tarifas entrem em vigor. Na semana passada, o sindicato, filiado à FIEMG, participou, por meio de um escritório de advocacia, de audiências públicas realizadas nos Estados Unidos para defender a inclusão do ferro-gusa brasileiro na lista de exceções às novas cobranças.
Durante as audiências, foram apresentados argumentos sobre a importância do produto brasileiro para a cadeia siderúrgica norte-americana e os possíveis efeitos da taxação sobre os custos e a competitividade do aço produzido naquele país. O Sindifer-MG também destacou a manifestação de compradores e importadores norte-americanos contrários à medida.
Minas Gerais concentra aproximadamente 70% da produção nacional de ferro-gusa, com 48 usinas e 63 fornos em operação, além de capacidade instalada de cerca de 420 mil toneladas mensais. Sete Lagoas, na região Central do estado, é considerada o principal polo guseiro, reunindo 21 unidades produtivas.
Outro assunto apresentado por Fausto Varela foram as atualizações da NR-1, especialmente a identificação, a avaliação e o tratamento dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no âmbito do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O tema exige atenção das empresas quanto à adoção de critérios técnicos, à documentação dos procedimentos e à elaboração de planos de ação adequados à realidade de cada organização. No final de junho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu por 92 dias as sanções da norma associadas à inclusão de fatores de riscos psicossociais.
A FIEMG realizou, no Teatro SESIMINAS, em Belo Horizonte, o seminário “Desvendando a NR-01: exigências reais, impactos e armadilhas“. O encontro reuniu especialistas em saúde e segurança do trabalho, profissionais das áreas jurídica, previdenciária e tributária, além de representantes do Judiciário e do Ministério Público, para esclarecer os impactos práticos da norma e os cuidados necessários para sua implementação.
Parcerias para atrair e diversificar investimentos

Na sequência da reunião, o diretor de Atração de Investimentos da Invest Minas, Elvis Nunes Gaia, apresentou o tema “Panorama dos investimentos estratégicos em Minas Gerais e oportunidades para a indústria mineira: tendências, setores prioritários e perspectivas para os próximos anos”.
Segundo Gaia, a agenda do desenvolvimento econômico tem permeado a atuação da atual gestão do Governo de Minas. Para ele, o estreitamento do diálogo com entidades representativas do setor produtivo, como o CIEMG, é fundamental tanto para ampliar a atração de novos investimentos quanto para estimular a diversificação econômica das diferentes regiões do estado.
Durante a apresentação, o diretor abordou tendências capazes de influenciar os próximos ciclos de investimentos, como a reforma tributária, a ampliação da participação privada em projetos de infraestrutura, a segurança das cadeias globais, o mercado de minerais críticos e o crescimento da participação dos fundos de investimento em projetos industriais.
Entre as frentes estratégicas apresentadas pela Invest Minas estão o adensamento das cadeias produtivas, as parcerias público-privadas e concessões, a transição energética, o desenvolvimento regional e o posicionamento internacional de Minas Gerais. Logística, infraestrutura, agronegócio, biocombustíveis, minerais críticos, baterias, indústria eletrônica e data centers também foram apontados como setores que devem receber atenção nos próximos anos.
Fausto Varela endossou a avaliação de Elvis Gaia e ressaltou a relevância da interlocução permanente entre o CIEMG e a Invest Minas. O presidente destacou que a aproximação entre as instituições, inclusive por meio da participação em eventos conjuntos e missões empresariais ao exterior, contribui para apresentar as potencialidades mineiras a investidores, abrir mercados e criar novas oportunidades para a indústria do estado.
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Imprensa FIEMG