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Início » Indústria se mantém estável no 2º trimestre, sustentada pela atividade extrativa

Notícias
Estudos Econômicos

Indústria se mantém estável no 2º trimestre, sustentada pela atividade extrativa

Resultado reflete sinais de desaceleração da economia e desafios para segmentos como transformação e construção

Por Fernanda Melo Dias Borges
  • 01/09/2026
  • | 4:18 PM
Banco de imagens/Canva

A indústria brasileira cresceu 0,1% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) analisados pela Gerência de Economia da FIEMG. O resultado indica estabilidade da atividade industrial no período, em um cenário de perda de ritmo da economia, e foi sustentado pelo desempenho da indústria extrativa, que avançou 3,4% e compensou as retrações registradas nos demais segmentos. A indústria de transformação e a construção recuaram 0,4% cada, enquanto energia e saneamento registrou queda de 1%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a indústria avançou 1,5%, impulsionada principalmente pelo desempenho da indústria extrativa, que cresceu 12% no período, favorecida pelo aumento da produção de petróleo e gás natural. Já a indústria de transformação recuou 0,9%, enquanto energia e saneamento registrou queda de 0,5%.

O resultado acompanha um cenário de desaceleração da economia brasileira, com impactos também sobre a atividade industrial. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior, abaixo do avanço de 1% registrado nos primeiros três meses do ano.

Para a economista da FIEMG Juliana Gagliardi, um dos principais pontos de atenção está no comportamento do consumo das famílias, que apresentou retração no período. Segundo ela, embora os investimentos tenham avançado, a perda de dinamismo da demanda interna já sinaliza uma moderação da atividade econômica. “O crescimento do PIB no segundo trimestre ocorreu em um cenário de movimentos diferentes entre os componentes da demanda. Os investimentos avançaram, mas o consumo das famílias recuou, sinalizando menor dinamismo do mercado interno. Esse resultado está relacionado, principalmente, aos juros ainda elevados e ao nível de endividamento das famílias, que limitam a capacidade de consumo”, afirmou Gagliardi.

Na avaliação da FIEMG, os próximos meses devem continuar marcados por desempenhos distintos entre os segmentos industriais. A indústria extrativa segue como principal suporte do setor, favorecida pela expansão da produção de petróleo e gás e pela demanda externa por commodities. Já a indústria de transformação enfrenta um ambiente mais desafiador, diante de uma demanda doméstica menos aquecida e de condições financeiras ainda restritivas.

“A indústria extrativa deve continuar sendo favorecida pela expansão da produção de petróleo e gás e pela demanda externa. Já a indústria de transformação deve enfrentar desafios diante de uma demanda doméstica menos dinâmica, condições financeiras ainda restritivas e um cenário internacional mais complexo, com juros elevados e maior protecionismo comercial”, destacou Gagliardi.

Para 2026, a FIEMG projeta crescimento de quase 2% para a indústria brasileira, com trajetórias diferentes entre seus segmentos. A expectativa é de continuidade do desempenho positivo da indústria extrativa, enquanto a indústria de transformação deve apresentar avanço mais moderado, diante das restrições da demanda interna e das condições financeiras.

Para 2027, a projeção indica desaceleração da atividade industrial, com crescimento estimado de 1,2%. O cenário aponta para uma expansão mais moderada da economia, após um período de perda gradual de ritmo ao longo de 2026.

Confira a análise completa clicando aqui.

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