A indústria brasileira tem papel estratégico na retomada do crescimento econômico do país e deve assumir o protagonismo nos próximos anos. Essa foi a principal mensagem do economista Ricardo Amorim durante a palestra de encerramento da oitava edição do Imersão Indústria, promovido pela FIEMG, nos dias 23 e 24 de abril, em Belo Horizonte.
Com o tema “A vez da indústria: por que a indústria deve liderar o próximo ciclo de crescimento brasileiro”, Amorim subiu ao palco principal na tarde da sexta-feira, 24/4, e trouxe uma análise macroeconômica do cenário global e seus impactos diretos no Brasil.
Segundo o economista, o país vive uma janela de oportunidade impulsionada por mudanças no cenário internacional, como a reorganização das cadeias produtivas e a busca por maior segurança econômica por parte das grandes potências.
“O que a gente vive hoje provavelmente é a maior oportunidade de desenvolvimento e crescimento da indústria brasileira em pelo menos quatro décadas. Nas últimas décadas, infelizmente, a indústria ficou para trás da economia brasileira por uma série de fatores. Primordialmente, uma carga tributária altíssima e pauta de mão de obra. Só que algumas transformações que estão acontecendo vão mudar isso”, salientou Ricardo Amorim.
“A primeira delas é a reforma tributária que efetivamente faz com que os gastos compostos das etapas anteriores da cadeia de produção possam sim ser compensados na indústria. O resultado é que a indústria é o grande ganhador da reforma tributária. Segundo, uma transformação tecnológica com um avanço gigante de inteligência artificial e robotização. A indústria vai conseguir lidar com o enorme desafio que ela tem atualmente, mas toda a economia brasileira tem, de falta de disponibilidade de mão de obra. O terceiro grande fator é que o Brasil está atraindo muito investimento externo. Não que aqui esteja as mil maravilhas, mas o resto do mundo está em guerra e mesmo com todos os nossos problemas, temos um grande mercado, com potencial de crescimento e risco geopolítico zero, o Brasil hoje é o grande”, explicou durante a palestra de fechamento do Imersão Indústria.
E por fim, Ricardo Amorim ressaltou que há uma oportunidade cada vez maior no agronegócio associado a uma demanda de alimentos que só vai crescer em meio a esses conflitos que aumentam. “A indústria tem oportunidade agora com os dois primeiros fatores que vão agregar mais valor, e a indústria, particularmente de alimentos, deve puxar esse movimento. Por isso tudo eu acredito que se a gente olhar pros próximos 10 anos a gente certamente terá um desempenho da indústria muito superior ao que foi nas últimas quatro décadas”, ressalta.
Cenário internacional abre oportunidades
Durante a apresentação, Amorim ressaltou que o movimento de nearshoring — a aproximação de centros produtivos dos mercados consumidores — tende a favorecer países como o Brasil, especialmente aqueles com base industrial diversificada.
Ele também chamou atenção para fatores internos que podem impulsionar o setor, como o potencial de crescimento do mercado doméstico e a abundância de recursos naturais, aliados à necessidade de avanços estruturais.
“A combinação de recursos, mercado interno relevante e capacidade industrial coloca o Brasil em uma posição privilegiada, desde que o país consiga superar gargalos históricos”, afirmou.
Custo Brasil
Sobre a temática do evento, “Custo Brasil” e os desafios estruturais do paí”s, Ricardo Amorim destacou que o custo que todos os brasileiros pagam é mais alto do que o resto do mundo. “Por que a maioria dos produtos, dos serviços aqui custa mais caro do que em outros países? Porque custa mais caro para ser produzido? Não custa mais caro para ser produzido, eles vivem em outro lugar. Porque aqui se paga muito mais imposto do que praticamente em todos os outros países do mundo”, explicou.
Ele acrescentou ainda que o segundo motivo é a falta de infraestrutura. “E por consequência, o custo de energia, custo de transporte é mais alto aqui do que em outros lugares. E terceiro motivo: como a gente investiu um pouco em educação, a qualificação de mão de obra no Brasil é baixa. E o resultado é que mão de obra qualificada custa muito caro. E isso vai pro preço de produtos e serviços que nós temos”.
Em resumo, o economista explicou que ao ouvir falar de custo no Brasil, o que é preciso entender é que não é um negócio etéreo que está muito distante. “Ele parte do teu bolso cada vez que você vai ao shopping, ao supermercado, à bomba de combustível, ou o que quer que seja. E é exatamente por isso que a gente precisa combater. Fazer com que dinheiro? O brasileiro que sua tanto para ganhar, precisa ter a capacidade de comprar mais. Isso só vai acontecer se a gente conseguir reduzir o custo do Brasil e é por isso que as pessoas precisam entender o que é o custo do Brasil”, concluiu Ricardo.
Encerramento do Imersão Indústria
A palestra de Ricardo Amorim marcou o encerramento da oitava edição do Imersão Indústria, evento que reuniu empresários, especialistas e lideranças para discutir tendências, inovação e os caminhos para o fortalecimento do setor industrial.
Ao longo dos dois dias de programação, o evento promoveu debates estratégicos sobre competitividade, transformação digital e desenvolvimento sustentável, reforçando o compromisso da FIEMG com o crescimento da indústria mineira e brasileira.
O Imersão Indústria é uma realização do Sistema FIEMG e correalização da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O patrocínio master é da Vale, com apoio master do Sebrae Minas. Usiminas e Sicoob são os patrocinadores ouro. AngloGold Ashanti, ArcelorMittal, Herculano Mineração, Bemisa e CBMM são os patrocinadores prata. A parceria é da J. Mendes e da Construtora Barbosa Mello, e a parceria institucional conta com Allya, AmpliFicar 1a1 + Cluube. O apoio é da 98 News, Três Corações, F5 Office e Centro Universitário UNA.
Marina Rigueira
Imprensa FIEMG