O mercado de trabalho de Minas Gerais apresentou melhora no segundo trimestre de 2026. A taxa de desemprego no estado caiu para 3,8%, ante 5% nos três primeiros meses do ano, uma redução de 1,2 ponto percentual. No Brasil, o indicador alcançou 5,4%, com queda de 0,7 ponto percentual no mesmo período. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram analisados pela Gerência de Economia da FIEMG.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o desemprego também apresentou recuo. Em Minas Gerais, a taxa passou de 4% para 3,8%, enquanto, no país, caiu de 5,8% para 5,4%.

A melhora trimestral foi acompanhada pelo crescimento da população ocupada em Minas Gerais. O estado encerrou o segundo trimestre com aproximadamente 11 milhões de pessoas ocupadas, alta de 2,3% frente aos três meses anteriores. Ao mesmo tempo, o contingente de desocupados recuou 22,5%, chegando a 437 mil pessoas.

Apesar do avanço recente, o número de ocupados em Minas ainda ficou 0,9% abaixo do registrado no segundo trimestre de 2025. No Brasil, o movimento foi diferente: a ocupação cresceu 1,1% no trimestre e 0,7% na comparação anual, alcançando aproximadamente 103,1 milhões de trabalhadores.
Indústria apresenta retração na comparação anual
A análise por atividade econômica mostra desempenhos distintos em Minas Gerais. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a agropecuária registrou crescimento de 8% no número de ocupados e a construção avançou 0,2%.
Em sentido contrário, a indústria geral apresentou retração de 8%, passando de aproximadamente 1,6 milhão para 1,5 milhão de trabalhadores. Comércio (-2%) e serviços (-0,2%) também registraram redução da ocupação no período.
Ao considerar a indústria total, que reúne indústria geral e construção, Minas Gerais contabilizou cerca de 2,3 milhões de pessoas ocupadas no segundo trimestre. Em relação ao trimestre anterior, o contingente recuou 0,9%, enquanto, no Brasil, o emprego industrial avançou 1%, alcançando 20,5 milhões de trabalhadores.

Perspectivas seguem positivas, mas cenário exige atenção
De acordo com a análise da Gerência de Economia da FIEMG, as perspectivas para o mercado de trabalho permanecem positivas ao longo de 2026, sustentadas pelo elevado nível de ocupação e pela renda das famílias, fatores que tendem a favorecer o consumo e a demanda por mão de obra, especialmente nos setores de serviços e comércio.
Por outro lado, as condições financeiras seguem restritivas. Apesar da continuidade do ciclo de redução dos juros, a Selic permanece em patamar elevado, limitando uma expansão mais robusta do consumo e dos investimentos. O elevado endividamento das famílias também permanece como fator de atenção.
Além disso, as pressões inflacionárias podem limitar o espaço para reduções mais aceleradas dos juros, enquanto as incertezas fiscais e externas adicionam riscos ao cenário econômico. Nesse contexto, a expectativa é de que haja a manutenção de um mercado de trabalho favorável ao longo de 2026, embora sujeito aos efeitos de um ambiente macroeconômico ainda desafiador.
Leia aqui o boletim completo da PNAD Contínua Trimestral.
Os boletins anteriores e outros estudos também podem ser consultados no Observatório da Indústria de Minas Gerais, neste link.
Ana Paula Motta
Imprensa FIEMG