Os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 têm provocado mudanças expressivas no consumo de energia elétrica no país. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a demanda caiu, em média, 11% nos três últimos jogos do Brasil, em comparação com o consumo esperado para os horários das partidas.
Para o próximo confronto, marcado para segunda-feira, 29 de junho, às 14h, a estimativa é de uma redução ainda maior, na casa de 20% da demanda, segundo projeção da Gerência de Energia da FIEMG. O horário da partida amplia a atenção sobre a operação do sistema elétrico, já que coincide com um dos períodos de maior geração de energia solar fotovoltaica no país..
Na prática, a queda não representa falta de energia. O que ocorre é uma mudança brusca no comportamento de consumo. Quando o Brasil entra em campo, indústrias reduzem processos, parte do comércio fecha temporariamente e milhões de pessoas interrompem suas rotinas para assistir ao jogo. Nos três jogos anteriores, a redução foi de aproximadamente 9% contra o Marrocos, 10% contra o Haiti e 14% contra a Escócia.
Além da queda durante a partida, o setor elétrico também precisa acompanhar a retomada rápida do consumo no intervalo e após o apito final. No jogo entre Brasil e Escócia, por exemplo, a demanda voltou a subir de forma intensa em poucos minutos: no intervalo, o aumento foi equivalente a religar praticamente o consumo do estado do Rio de Janeiro.
Segundo Sérgio Pacata, coordenador de Atendimentos e Negócios em Energia da FIEMG, o ponto de atenção não é apenas a queda no consumo durante o jogo, mas a velocidade com que a demanda volta a subir no intervalo e após o apito final. “No intervalo do jogo contra a Escócia, a demanda subiu quase 6 GW em apenas nove minutos. Para se ter uma ideia da dimensão, é como se o sistema tivesse que absorver, em poucos minutos, um volume de consumo próximo ao de um estado como o Rio de Janeiro. Após o fim da partida, a retomada foi ainda maior, chegando a quase 9 GW em 18 minutos, algo comparável ao consumo de Minas Gerais. Essas variações exigem uma resposta muito rápida da operação do sistema elétrico”, explicou Pacata.
A próxima partida traz um fator adicional: será disputada às 14h, em horário comercial e em um dos períodos de maior geração solar fotovoltaica no país. Com isso, a estimativa é que a queda na demanda seja mais acentuada do que nos jogos anteriores. “Desta vez, a partida acontece em um horário em que indústria e comércio normalmente estão em atividade. Com a parada para o jogo, a expectativa é de uma queda maior, podendo chegar a 20% da demanda. Ao mesmo tempo, o sistema terá alta geração solar. O desafio é equilibrar uma oferta elevada de energia com uma redução forte do consumo”, destacou Pacata.
Quando há mais energia sendo produzida do que consumida naquele momento, algumas usinas podem ter a geração reduzida ou até ser desligadas temporariamente. A medida faz parte da operação do sistema e busca manter o equilíbrio entre produção e consumo, garantindo segurança e estabilidade.
O cenário mostra como grandes eventos nacionais impactam diretamente o sistema elétrico. Para o setor, o desafio é acompanhar essa variação com planejamento, controle e resposta rápida.
Fernanda Borges
Imprensa FIEMG